Espiritismo científico
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Denomina-se
Espiritismo científico a uma corrente ideológica que existiu dentro do
movimento espírita brasileiro no final do século XIX.
Após a morte de Allan Kardec (1869) formaram-se duas
tendências no movimento espírita, e, em particular no Brasil: o chamado
"espiritismo científico" e o chamado "místico" ou
"religioso". A primeira corrente sustentava a experimentação e
pesquisa dos fenômenos
mediúnicos, enquanto que a segunda privilegiava a
mediunidade receitista e curativa (física e espiritual), o que lhe granjeava
amplo prestígio junto às camadas populares, aumentando-lhe a visibilidade.
Os primeiros organizaram-se em torno do Centro da União
Espírita do Brasil enquanto que os últimos organizaram-se em torno da Federação
Espírita Brasileira. Visando conciliar as duas correntes, Bezerra de Menezes
presidiu a FEB no período de 1895 a 1900, vindo a confirmar o caráter religioso
do movimento brasileiro, compreendido como um aprofundamento do cristianismo.
Embora a FEB tenha se mantido aberta a todas as tendências do movimento, o
caráter científico acabou restrito a um reduzido grupo, o que pode ser
explicado pela raridade de médiuns de efeitos físicos e pelas polêmicas
ocorridas no exterior com relação a fraudes.
Uma outra vertente dessa questão passa pela adoção e estudo,
pelos pioneiros do espiritismo no Brasil, da obra Os Quatro Evangelhos de
Jean-Baptiste Roustaing. Assim, o conceito do "corpo fluídico" de
Jesus seria uma das raízes das divergências históricas entre os que
preconizavam um espiritismo "científico" e os que sustentavam um
espiritismo "místico". A quase totalidade dos "místicos"
defendiam a obra de Roustaing, enquanto que a maioria dos
"científicos" repudiavam-na, tanto quanto repudiavam O Evangelho
Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.
Notas
↑ QUINTELLA, Mauro. História do Espiritismo no Brasil.
↑ ANJOS, Luciano. O Atalho - Análise Crítica do Movimento
Espírita.
Bibliografia
SANTOS, José Luiz dos. Espiritismo: Uma Religião Brasileira.
São Paulo: Editora Moderna, 1997.
ANJOS, Luciano dos. O Atalho - Análise Crítica do Movimento
Espírita. Ed Lachâtre, 1995.
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“A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo
imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes - brilhos do espírito,
correntes do entendimento, mistérios e filosofias - que têm o mesmo automatismo
que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas
secreções”.
(Fernando Pessoa)
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